Meu primeiro contato com as histórias da Anne, assim como muita gente, foi através da série da Netflix Anne With An “E” (2017-2019). Me apaixonei completamente por essa personagem tão cativante, sempre positiva, que enxerga beleza nas menores coisas. Então depois de maratonar a série, eu resolvi que queria ler todos os livros em que a trama foi baseada, escritos pela autora canadense Lucy Maud Montgomery entre 1908 e 1939.
Ambientado no fim do século XIX, a história acompanha a vida de Anne Shirley, uma franzina garota ruiva de onze anos que é adotada pelos irmãos idosos Matthew e Marilla Cuthbert e vai morar na encantadora fazenda de Green Gables, que fica na Ilha do Príncipe Edward, no Canadá. Com sua personalidade vívida e sonhadora, Anne conquista todos que a conhecem, e nós acompanhamos todas as fases da sua vida conforme os anos passam, suas experiências e aprendizados.
A história é considerada um clássico da literatura infanto-juvenil e seu sucesso inspirou diversas adaptações para a televisão, teatro e cinema desde que os livros começaram a ser publicados em 1908. Eu fiz questão de ler e resenhar todos, então nesse post vou falar um pouco do que achei de cada um deles com link que levam para suas respectivas resenhas.
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Anne é uma pobre órfã que foi enviada por engano para a fazenda de Green Gables, pois os irmãos Marilla e Matthew tinham a intenção de adotar um menino para auxiliar nos trabalhos domésticos. Com pena da pobre garota, os dois resolvem mantê-la na fazenda ao descobrirem que, definitivamente, era uma menininha diferente de todas as outras. Com seus longos cabelos ruivos, seus olhos verde acinzentados e uma imaginação que lhe permite viver muitas fantasias, mas que a coloca em muitas confusões também, Anne traz reflexões e pensamentos pertinentes sobre os obstáculos e as escolhas da vida de qualquer pré-adolescente.
O que achei: Acompanhamos Anne dos 11 aos 16 anos. A história é muito tranquila e doce, perfeita para relaxar durante a leitura. É maravilhoso acompanhar uma menina que passa a ter oportunidades pela primeira vez na vida e acaba usufruindo disso intensamente e com muita gratidão.
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Agora com 16 anos, sentindo-se quase adulta, Anne está prestes a começar a lecionar na escola de Avonlea, a realidade de seu trabalho torna-se um teste para seu caráter, surgindo várias dúvidas quanto ao seu futuro. Ela conquistou o amor do povoado, não deixando de se meter em diversas confusões, além de se tornar uma ativa participante de uma associação para melhorias em Avonlea. Seu espírito e sua imaginação vibrante a colocam em uma incansável busca por “almas gêmeas” e em contato com novos personagens. Enfim, Anne decide deixar tudo para ir atrás de seu grande sonho.
O que achei: Acompanhamos Anne dos 16 aos 18 anos. Anne cresceu ligeiramente e já é uma adolescente, embora continue se metendo em trapalhadas muito engraçadas de uma menina curiosa. A história continua doce e tranquila, ambientada na mesma cidade encantadora e rodeada dos mesmos personagens amáveis que também crescem e aprendem igual a ela.
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Decidida a realizar o seu sonho, Anne se muda para Kingsport para morar com sua amiga Priscilla Grant e finalmente terminar os seus estudos na Redmond College. Gilbert Blythe, desejando estudar medicina, também parte para lá e enxerga a oportunidade de revelar seus sentimentos a Anne. O novo ambiente e a vida adulta trazem novos desafios e perdas que mudam as perspectivas e amadurecem a forma como ela enxerga o mundo.
O que achei: Acompanhamos Anne dos 18 aos 22 anos. É nítido perceber o quanto a Anne está amadurecendo ao longo dos livros, principalmente neste em que ela está na faculdade e precisa ser responsável com seus estudos, economias e responsabilidades, mas sem perder a sua essência doce e curiosa para com o mundo, sempre tocando e mudando para melhor a vida das pessoas que a conhecem.
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Após os anos na vida de universitária, Anne agora é diretora da Escola de Ensino Médio de Summerside. Com a chegada na nova cidade e o recente cargo conquistado surgem alguns desafios, como a influente família Pringle, que não a quer à frente da escola. Gilbert Blythe está a três anos de concluir a faculdade de medicina e Anne se corresponde com o noivo através de cartas, compartilhando sua rotina ao lado das viúvas tia Kate e tia Chatty, a governanta Rebecca Dew, o gato Dusty e sua cativante vizinha Elizabeth. Anne descobre que possui ótimos aliados para enfrentar a espinhosa família Pringle e conservar seu cargo.
O que achei: Acompanhamos Anne dos 22 aos 25 anos. Certamente um livro que corta um pouco do ritmo da história da Anne, chegando a ser um pouco maçante. Não tem muitos diálogos ou situações engraçadas que movimentam a trama, mas a personagem continua sendo uma querida, sempre disposta a ajudar todos ao seu redor, e isso nos faz querer continuar acompanhando sua vida.
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Sob o sol de Green Gables, onde tudo começou, Anne e Gilbert selam o relacionamento e assumem um futuro juntos. Uma oportunidade profissional aguarda Gilbert em Four Winds; e, nesse lugar, rodeado de árvores e um riacho, está a casa dos sonhos de Anne. Lá, conhecerão o capitão Jim e a Leslie Moore, vizinhos com histórias surpreendentes para compartilharem com o casal, que passará por momentos difíceis e alegres em seu primeiro ano de casados.
O que achei: Acompanhamos Anne dos 25 aos 27 anos. Esse livro me surpreendeu muito positivamente, se tornando um dos meus favoritos dessa série. Ele traz personagens secundários cativantes e muito bem construídos, traz momentos de tristeza que quebram o nosso coração e traz superação e felicidade pela vida, mostrando o quão importante é valorizar todos os momentos com as pessoas que amamos. Adorei!
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Em Ingleside a vida é bem agitada, mas não há outro lugar em que Anne queira estar. A rotina é cheia de aventuras e descobertas se seus cinco filhos. Agora, com um sexto a caminho, ela não poderia estar mais assoberbada, até que a inconveniente tia Mary Maria chega para uma extensa e inoportuna visita. Gilbert está sempre ocupado com o trabalho e Anne atarefada com os filhos, o que a leva a pensar que o amor que o marido sente por ela esfriou. Mesmo adulta, continua com a mesma essência de quando chegou a Green Gables e está disposta a acender o amor entre ela e Gilbert que existe desde a infância.
O que achei: O livro se passa entre os 34 e 40 anos de Anne. É incrível ver nossa protagonista agora como uma mãe orgulhosa, criando e orientando seus seis filhos, que ganham bastante destaque na história, cada um deles passando por provações e aprendizado durante sua infância, exatamente igual a própria Anne passou no primeiro livro. É um livro agridoce, pois a história é muito fofa, mas bate uma tristeza de saber que foi o último em que ela ainda é a protagonista, além de ter sido o último que a autora escreveu antes de falecer.
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Os filhos de Anne e Gilbert já estão crescidos e perseguindo aventuras. Em uma delas descobrem o Vale do Arco-Íris e começam a visitar o local para brincar. Então, novas crianças chegam a Glen St. Mary: os travessos Merediths. Contrariando as expectativas, uma amizade surge entre as crianças, enquanto o viúvo John Meredith procura por uma esposa. Em um celeiro, está escondida a órfã Mary Vance, que, juntos no Vale do Arco-Íris, traçam um plano para que a nova amiga não volte ao orfanato.
O que achei: O livro se passa entre os 41 e 43 anos de Anne. Tanto ela quanto os próprios filhos ficam um pouco de escanteio nesse livro, com o foco sendo a família Meredith. Apesar de termos novos personagens, nós acompanhamos a velha história de crianças crescendo e passando por experiências e aprendizados. Não deixa de ser fofo e aconchegante, mas continua sendo repetitivo.
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Rilla está chegando aos quinze anos e o seu primeiro baile no farol de Four Winds se aproxima trazendo também a expectativa por um romance com Kenneth Ford. Contudo, com a eminência de uma guerra que ameaça a família Blythe e o mundo, os desafios que aguardam a filha caçula de Anne podem ser maiores que o anseio por um primeiro beijo. Anne e Gilbert se preocupam com os seus filhos e com a ingenuidade da jovem Rilla, que terá sua coragem e amadurecimento testados por acontecimentos que a mudarão para sempre.
O que achei: O livro se passa entre os 49 e 53 anos de Anne. Gostei bastante desse livro que traz uma história mais séria e madura, triste e esperançosa. Diziam que Rilla era inconsequente, mas eu a via apenas como uma adolescente curtindo a vida como deveria ser, mas que infelizmente precisa amadurecer rápido e cedo demais depois que estoura a guerra. Nós acompanhamos o ponto de vista da família que fica em casa e sofre com a falta de notícias dos filhos que foram lutar na guerra. Me senti muito envolvida e emocionada com esse livro.
Leia: Rilla de Ingleside – Lucy Maud Montgomery | Crítica
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